Yasmin Lee nasceu em 9 de junho de 1984 em Bangkok, Tailândia, e desde cedo enfrentou o desafio de crescer em um corpo que não correspondia à sua identidade. Criada em um ambiente tradicional, ela logo percebeu que sua expressão de gênero era diferente da esperada pela família e pela sociedade local. Aos poucos, foi buscando informações sobre o universo transgênero, ainda escasso na Tailândia dos anos 1990. Aos 14 anos, iniciou o processo de transição hormonal com acompanhamento médico, mas a falta de recursos e de aceitação no círculo social tornou o caminho solitário. Apesar das dificuldades, Yasmin sempre manteve a determinação de viver sua verdade, o que a levou a emigrar para os Estados Unidos ainda jovem.
Já nos EUA, Yasmin completou sua transição de gênero e passou a atuar em produções adultas de nicho, inicialmente como modelo fotográfica. Sua estreia no cinema explícito aconteceu em 2005, quando assinou contrato com estúdios especializados em conteúdo transexual. A experiência como atriz trans na indústria pornô norte-americana foi marcada por preconceito e fetichização, mas Yasmin soube usar sua beleza exótica e sua fluência em tailandês e inglês para construir uma marca pessoal forte. Ela contou, em entrevistas, que no início recusou papéis que considerava degradantes, preferindo projetos que retratassem a transexualidade com mais respeito – uma posição rara na época.
O grande salto de Yasmin Lee veio quando ela foi escalada para o filme Se Beber, Não Case! Parte II (2011), dirigido por Todd Phillips. Na comédia de sucesso mundial, ela interpretou uma prostituta transexual tailandesa que aparece em uma cena icônica com os personagens de Bradley Cooper e Ed Helms. A participação gerou controvérsia, mas também abriu portas para que Yasmin fosse vista além do rótulo de atriz pornô. Ela chegou a fazer testes para outros papéis em Hollywood, embora a indústria tradicional ainda a enxergasse com reservas. Mesmo assim, Yasmin manteve uma carreira dupla: continuou atuando em filmes adultos de alto orçamento e também fez aparições em documentários sobre diversidade sexual.
Fora das telas, Yasmin Lee se tornou uma voz ativa na luta pelos direitos das pessoas trans, especialmente na Tailândia e entre comunidades imigrantes nos EUA. Ela participou de campanhas de conscientização sobre HIV e saúde trans, e usou suas redes sociais para relatar episódios de discriminação que enfrentou em aeroportos e hotéis durante viagens de trabalho. Em 2015, foi homenageada em um evento da indústria adulta por sua contribuição para a representatividade trans. Yasmin também escreveu um breve relato autobiográfico publicado em um site independente, onde descreve o momento em que sua mãe finalmente aceitou sua identidade após assistir a uma entrevista sua na televisão tailandesa – um marco emocional que ela considera o verdadeiro início de sua paz interior.